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EDITORIAL DA SEMANA
O PODER DA LÍNGUA
Precisamos domar esse monstro
“Palavras… são boas apenas quando são melhores do que o silêncio.” A advertência de Richard Sibbes ecoa como um freio necessário em uma sociedade marcada pelo excesso de ruídos. Vivemos a era das opiniões instantâneas, das respostas apressadas e dos julgamentos precipitados. Nunca se falou tanto. Nunca se ouviu tão pouco. E, talvez por isso, nunca tenha sido tão urgente domar esse “monstro” chamado língua.
A língua é pequena em tamanho, mas imensa em poder. Com ela, construímos pontes ou levantamos muros; acendemos luzes ou espalhamos sombras; curamos corações ou aprofundamos feridas. Uma palavra pode mudar o rumo de um dia, de uma relação, de uma vida inteira. Por isso, domá-la não é apenas um exercício de etiqueta social, é uma disciplina espiritual, emocional e moral.
Há um ensinamento antigo que diz: Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca para ouvir mais e falar menos. A proporção não é acidental; ela carrega uma pedagogia silenciosa. Ouvir é um ato de humildade. Falar, muitas vezes, é um ato de afirmação. Quando ouvimos, abrimos espaço para compreender; quando falamos demais, fechamos portas antes mesmo de saber o que estava do outro lado.
O silêncio, frequentemente, é retratado como fraqueza. Mas a sabedoria revela o contrário: o silêncio é poder. Poder de ouvir, de refletir, de orar, de organizar os pensamentos e as emoções antes que elas transbordem de forma descontrolada. O silêncio é o campo onde a prudência floresce. Ele nos impede de reagir impulsivamente, de responder no calor da ira, de dizer aquilo que não poderá ser recolhido depois.
“Palavra é prata, o silêncio é ouro.” O provérbio atravessa gerações porque traduz uma verdade simples e profunda: falar é valioso, mas calar pode ser ainda mais. O dom da palavra é lindo, pois nos permite expressar sentimentos, defender ideias, compartilhar sonhos. Contudo, a sabedoria do silêncio é perfeita porque evita conflitos desnecessários e nos dá tempo para ponderar.
Mahatma Gandhi afirmou: “Fale apenas se for melhorar o silêncio.” Que critério poderoso! Antes de abrir a boca, deveríamos perguntar: o que vou dizer acrescenta algo? Constrói? Ilumina? Cura? Se a resposta for não, talvez o silêncio seja a melhor escolha, a melhor mensagem. Nem toda verdade precisa ser dita naquele momento. Nem toda opinião precisa ser compartilhada. Nem toda provocação merece resposta.
O livro de Provérbios, nas Escrituras, traz uma observação penetrante: “Até o tolo, se ficar calado, passa por sábio” (Provérbios 17:28). Isso revela algo essencial: o silêncio protege. Ele guarda nossa reputação, preserva relacionamentos e evita que a imprudência nos exponha. Muitas vezes, não é a falta de conhecimento que nos compromete, mas o excesso de palavras.
Entretanto, é importante compreender que nem todo silêncio é virtude. Há momentos em que calar é covardia. Há injustiças que exigem voz. Há situações em que o silêncio se torna cumplicidade. A maturidade está em discernir a hora de falar e a hora de calar. O sábio sabe romper o silêncio quando necessário, mas o faz com equilíbrio, firmeza e respeito.
Domar a língua exige domínio próprio. E domínio próprio é fruto de reflexão constante. O silêncio nos ensina a ouvir ativamente, a compreender o outro sem a pressa de formular uma resposta. Em muitas conversas, não estamos realmente ouvindo; estamos apenas esperando a nossa vez de falar. Esse comportamento transforma diálogos em disputas, e não em encontros.
O silêncio é um espaço de escuta, um lugar de acolhimento. Quando alguém sofre, por exemplo, nem sempre precisa de discursos elaborados. Muitas vezes, a presença silenciosa comunica mais amor do que mil palavras. O silêncio, nesses casos, não é ausência, é profundidade. Ele permite que o outro se sinta ouvido, respeitado e compreendido.
Saber falar é uma arte. Mas saber calar é uma virtude ainda mais rara. A fala, quando precipitada, pode ser como uma flecha lançada sem alvo definido e é quando atinge, fere e não pode mais ser trazida de volta. Por isso, pensar antes de falar é um exercício de responsabilidade. Seja breve, seja preciso. Palavras excessivas tendem a diluir a mensagem e a aumentar a chance de erros.
A comunicação verdadeira não acontece apenas no que é dito, mas também no que é ouvido. Como destacou Peter Drucker, “O mais importante na comunicação é ouvir o que não foi dito.” Essa escuta sensível exige silêncio interior. Exige que abafemos nossas próprias ansiedades e preconceitos para captar nuances, emoções e intenções.
A língua é um monstro quando não é controlada. Ela pode ser movida pelo orgulho, pela inveja, pela ira ou pela necessidade de autoafirmação. Mas, quando domada, transforma-se em instrumento de vida. Palavras podem motivar, orientar, consolar e inspirar. Podem ser sementes de esperança plantadas em solos áridos.
Domar a língua começa no coração. Pois é do interior que procedem as intenções que moldam nossas falas. Se o coração está cheio de amargura, as palavras refletirão essa amargura. Se está cheio de paz, a fala será mansa. O silêncio, nesse contexto, funciona como um filtro. Ele nos dá tempo para ajustar o interior antes que o exterior se manifeste.
A maturidade se revela na capacidade de escolher batalhas. Nem toda provocação merece resposta. Nem toda crítica exige defesa imediata. Às vezes, optar pelo silêncio é a melhor resposta. Ele revela segurança, equilíbrio e confiança. O silêncio pode desarmar conflitos e evitar que pequenas divergências se transformem em grandes rupturas.
Em um mundo barulhento, o silêncio é revolucionário. Ele cria espaço para a introspecção, para o autoconhecimento e para a conexão espiritual. No silêncio, organizamos pensamentos, reavaliamos atitudes e encontramos clareza. É nele que aprendemos a separar o essencial do desnecessário.
Dome esse monstro pelo prisma da consciência. Antes de falar, pergunte-se: minhas palavras são melhores do que o silêncio? Se não forem, que permaneçam guardadas. Se forem, que sejam ditas com verdade e amor. Porque palavras, quando usadas com sabedoria, têm poder de transformar realidades.
No fim, a grande arte não é falar muito, mas falar certo. Não é vencer discussões, mas preservar relações. Não é impor ideias, mas construir pontes. A língua pode ser uma chama que destrói ou uma luz que guia. A escolha é nossa. E, como ensinou a sabedoria antiga, ouvir mais e falar menos é o caminho para uma comunicação que edifica, pacifica e amadurece.
Que nossas palavras sejam raras como o ouro e preciosas como a prata. E que, sempre que possível, sejam melhores do que o silêncio.

Por: Weber Negreiros - CEO WN Treinamento, Consultoria e Planejamento
CEO da Revista Falando de Negócios
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