



EDITORIAL DA SEMANA
EGOISMO E INDIVIDUALISMO
Quando seus desejos suplantam ao da maioria
O egoísmo é uma das formas mais silenciosas de destruição humana. Ele não chega gritando, quebrando portas ou anunciando guerras. Muitas vezes, ele entra disfarçado de opinião forte, de personalidade marcante, de amor-próprio exagerado (Narcisismo) ou até mesmo de uma suposta busca por justiça. Mas, no fundo, o egoísmo é a incapacidade de enxergar além do próprio umbigo. É a necessidade de fazer do “eu” o centro de tudo, mesmo quando isso exige o sofrimento, a renúncia, a destruição do outro ou mesmo ignorar a vida e a evolução de quem esteja ao seu lado.
Vivemos em uma sociedade onde muitas pessoas perderam a capacidade de pensar no coletivo. Cada vez mais vemos indivíduos que acreditam que suas dores são maiores do que as dos outros, que seus problemas são mais urgentes, que seus desejos são mais importantes e que suas opiniões devem prevalecer acima de qualquer lógica, verdade ou bom senso. São pessoas que não aceitam ser contrariadas, que transformam divergências em guerras pessoais e que, mesmo quando estão erradas, continuam defendendo suas convicções como se fossem verdades absolutas.
Como afirmou Oscar Wilde: “O egoísmo não consiste em vivermos conforme os nossos desejos, mas sim em exigirmos que os outros vivam da forma que nós gostaríamos.” Essa frase resume de forma perfeita o comportamento de quem acredita que o mundo precisa girar ao seu redor. O egoísta não quer apenas viver da sua forma; ele quer impor sua visão, sua vontade e seus interesses aos demais. Ele não sabe dividir, não sabe ceder, não sabe ouvir e, principalmente, não sabe reconhecer que existem outras realidades além da sua.
É muito comum encontrarmos pessoas que acreditam possuir a solução para tudo. Elas opinam sobre a vida alheia, julgam comportamentos, condenam escolhas e se colocam como verdadeiros donos da razão. Criticam o casamento dos outros, mas não conseguem manter equilíbrio dentro da própria casa. Julgam a educação dos filhos alheios, mas não conseguem orientar os próprios. Falam sobre honestidade, mas vivem cercadas de incoerências. Discursam sobre maturidade, mas agem movidas por orgulho, vaidade e impulsividade.
Existe algo profundamente perigoso em pessoas que acreditam que o mundo inteiro está errado, menos elas. Porque quem não reconhece os próprios erros dificilmente aprende, evolui ou amadurece. O egoísmo cega. Ele impede a autocrítica, bloqueia o arrependimento e transforma a pessoa em prisioneira da própria arrogância.
Augusto Cury afirmou que “o individualismo é amigo da solidão e ambos fecham as portas para a felicidade.” E isso é uma verdade dura. Pessoas extremamente egoístas podem até acumular dinheiro, poder, influência ou status, mas dificilmente acumulam relações verdadeiras. Porque ninguém consegue permanecer por muito tempo ao lado de quem só sabe exigir, controlar, manipular e pensar em si.
O egoísmo destrói famílias, amizades, relacionamentos e ambientes profissionais. Ele faz com que irmãos briguem por heranças, amigos se afastem por inveja, casais se destruam por orgulho e equipes passem a viver em ambientes tóxicos por falta de empatia. O egoísta não sabe celebrar a conquista do outro porque tudo o que ele deseja é ser o protagonista. Ele não sabe dividir méritos porque acredita que tudo deve ser sobre ele.
Talvez uma das formas mais cruéis de egoísmo seja quando pais ou mães usam os próprios filhos como moeda de troca. Quando uma criança deixa de ser vista como um ser humano em formação e passa a ser usada como instrumento de vingança, chantagem, manipulação ou sobrevivência financeira. É triste perceber quantas crianças crescem em meio à alienação parental, ouvindo mentiras sobre um dos pais, sendo afastadas de pessoas que as amam ou sendo ensinadas a odiar apenas porque um adulto egoísta decidiu transformar suas frustrações em guerra.
Não existe amor verdadeiro quando há manipulação. Não existe proteção quando há interesse. Não existe cuidado quando há egoísmo disfarçado de afeto. Quem usa filhos para atingir outra pessoa não está pensando no bem-estar da criança; está apenas tentando satisfazer seus próprios interesses, alimentar seu orgulho ferido ou manter alguma vantagem emocional, financeira ou social.
Alexis de Tocqueville dizia que “o individualismo é uma espécie de egoísmo moderado que predispõe os seres humanos a se preocuparem apenas com seu pequeno círculo de familiares e amigos.” O problema é que estamos vivendo uma época em que até esse pequeno círculo está sendo abandonado. Há pessoas que não pensam nem na família, nem nos amigos, nem nos filhos. Pensam apenas em si. E quem vive apenas para si acaba se tornando um estranho dentro da própria sociedade.
“O egoísmo e o individualismo são as maiores chagas sociais de nosso tempo tão deserto de esperança e humanidade”, afirmou Ricardo Vianna Barradas. E talvez essa seja uma das maiores verdades do nosso tempo. Vivemos cercados por pessoas que querem direitos, mas não querem deveres; que exigem compreensão, mas não sabem compreender; que pedem apoio, mas não apoiam ninguém; que desejam amor, mas não sabem amar.
O egoísmo faz com que o ser humano se torne incapaz de enxergar o sofrimento do outro. Faz com que ele minimize dores, ignore necessidades e transforme qualquer situação em algo que beneficie apenas a si mesmo. O egoísta dificilmente pergunta: “Como posso ajudar?” Porque sua principal preocupação é sempre: “O que eu ganho com isso?”
Mas a vida cobra. Cobra com solidão, com afastamentos, com relações vazias e com a perda daquilo que realmente importa. Porque ninguém consegue construir algo duradouro sendo guiado apenas pelos próprios interesses. O egoísmo pode até trazer vantagens imediatas, mas quase sempre produz prejuízos permanentes.
No final das contas, quem vive apenas para si mesmo acaba descobrindo, tarde demais, que o mundo não gira em torno de uma única pessoa. E que não existe felicidade verdadeira quando nossos desejos suplantam os da maioria, quando nossas vontades esmagam os sentimentos dos outros e quando nossas escolhas são construídas apenas sobre a lógica do “eu”.
A vida não foi feita para ser uma competição constante de egos. Ela foi feita para ser convivência, partilha, compreensão e respeito. Quem aprende isso cedo constrói pontes. Quem não aprende passa a vida inteira colecionando ruínas.

Por: Weber Negreiros - CEO WN Treinamento, Consultoria e Planejamento
CEO da Revista Falando de Negócios
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