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Falando de Negócios
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EDITORIAL DA SEMANA

VIVA O QUE TEM QUE SER VIVIDO

Histórias que acontecem só uma vezo

Existem momentos na vida que não se repetem. Existem cenas que, mesmo simples, carregam uma força tão grande que se transformam em memória eterna. Um abraço depois de um dia cansativo, uma conversa antes de dormir, uma gargalhada inesperada, uma viagem curta, uma brincadeira improvisada, uma ida ao cinema, um almoço de domingo, uma caminhada de mãos dadas. São episódios aparentemente comuns, mas que, entre pai e filho, compõem um filme único, daqueles que a vida exibe apenas uma vez.

A infância dos filhos é esse filme raro. Ele não aceita reprise, não permite refilmagem e não volta para corrigir cenas perdidas. Quando percebemos, aquele menino que cabia no colo já não pede mais colo com a mesma frequência. A menina que corria pela casa chamando pelo pai ou pela mãe já começa a construir seu próprio mundo. O tempo passa em silêncio, sem pedir licença, e só revela sua velocidade quando a saudade começa a ocupar o lugar da rotina.

Por isso, tudo pode esperar nessa vida, menos o crescimento e a infância dos nossos filhos. O trabalho pode esperar algumas horas. As mensagens podem ser respondidas depois. As preocupações sempre encontrarão um jeito de voltar. Mas aquele convite para brincar, aquela pergunta curiosa, aquele olhar pedindo atenção, aquele desejo de estar junto, isso talvez não volte mais com a mesma intensidade. A infância é breve demais para ser tratada como algo secundário.

Entre pais e filhos nasce um amor que ultrapassa o tempo. É um amor capaz de ensinar, proteger, curar e transformar vidas. Mas esse amor precisa de presença. Não basta existir no coração; ele precisa ser demonstrado em gestos, em convivência, em experiências compartilhadas. O filho precisa sentir que tem lugar na vida do pai e da mãe. Precisa saber que é lembrado, esperado, acolhido e amado. A presença constrói segurança. A ausência, quando não cuidada, pode abrir feridas silenciosas.

Essa reflexão se torna ainda mais necessária quando falamos de filhos criados por pais separados. O fim de uma relação conjugal não pode significar o rompimento da história entre pais e filhos. Marido e mulher podem seguir caminhos diferentes, mas pai e mãe continuam sendo referências fundamentais na vida de uma criança. A separação pode mudar a dinâmica da casa, os horários, os endereços e a rotina, mas jamais deveria privar um filho do direito de conviver, aprender, sorrir e criar memórias com aqueles que lhe deram a vida.

Nenhuma criança deveria ser colocada no meio de disputas emocionais. Nenhum filho deveria carregar o peso das mágoas dos adultos. Quando um pai ou uma mãe usa a convivência como instrumento de vingança, controle ou punição, quem mais sofre é a criança. Ela perde histórias que não voltam. Perde aniversários, viagens, conselhos, abraços, almoços, conversas, brincadeiras e experiências que poderiam fortalecer sua identidade afetiva. Perde partes importantes do próprio filme.

É preciso compreender que a convivência não é um favor concedido a um pai ou a uma mãe. É um direito do filho. Mais do que isso, é uma necessidade emocional. A criança precisa construir suas próprias percepções, seus próprios vínculos, suas próprias lembranças. Ela precisa saber que pode amar o pai sem trair a mãe, e amar a mãe sem trair o pai. Precisa crescer sem culpa por querer estar com ambos. O amor de filho não deve ser dividido como território de guerra; deve ser protegido como patrimônio sagrado.

Há experiências que só fazem sentido em determinada fase da vida. Ensinar a andar de bicicleta, acompanhar o primeiro dia de aula, assistir a uma apresentação escolar, levar ao médico, brincar no chão da sala, contar histórias, ensinar a pescar, cozinhar juntos, torcer em um jogo, viajar pela primeira vez, conversar sobre medos, dúvidas e descobertas. Tudo isso pode parecer pequeno quando acontece, mas se torna imenso quando o tempo passa.

As melhores heranças que um pai ou uma mãe pode deixar não estão nos bens materiais, mas nos momentos inesquecíveis vividos em família. Crianças raramente se lembrarão com precisão do preço do presente que ganharam. Mas lembrarão de quem estava presente. Lembrarão de quem ouviu suas histórias. Lembrarão de quem se sentou ao lado, de quem vibrou com suas conquistas, de quem enxugou suas lágrimas, de quem apareceu quando era importante aparecer.

Estar presente é o maior presente. E presença não significa apenas estar no mesmo ambiente físico. Significa entregar atenção verdadeira. Significa guardar o celular por alguns minutos, olhar nos olhos, entrar no universo da criança, participar da fantasia, ouvir com paciência, responder com carinho, respeitar seus sentimentos. Muitas vezes, o que marca a vida de um filho não é um grande evento, mas a sensação de ter sido prioridade em um momento simples.

A rotina de hoje será a saudade de amanhã. Aquilo que hoje parece repetitivo, como levar à escola, preparar o lanche, esperar na porta, acompanhar uma tarefa, arrumar a mochila, ouvir a mesma história várias vezes, um dia fará muita falta. O barulho pela casa vai diminuir. Os brinquedos espalhados vão desaparecer. As perguntas inocentes darão lugar a conversas mais adultas. E então muitos pais percebem que dariam tudo para viver de novo uma tarde comum que antes parecia cansativa.

Por isso, não espere o momento perfeito. Ele talvez nunca chegue. A vida real não acontece quando tudo está organizado, quando sobra dinheiro, quando não há problemas ou quando a agenda finalmente fica livre. A vida acontece agora, no meio da correria, das imperfeições e das responsabilidades. Abrace hoje. Brinque hoje. Converse hoje. Peça perdão hoje. Diga “eu te amo” hoje. Crie memórias hoje.

Filhos passam pouco tempo sendo pequenos, mas esse tempo é suficiente para mudar a vida deles para sempre. Uma infância marcada por afeto, presença e convivência saudável fortalece a autoestima, a confiança e a forma como eles enxergarão o mundo. O contrário também é verdadeiro: ausências injustas, afastamentos forçados e silêncios prolongados podem deixar marcas profundas.

Criar um filho é a maior obra da vida de um pai e de uma mãe. Não existe projeto mais importante, investimento mais valioso ou missão mais transformadora. E essa obra não se constrói apenas com palavras bonitas ou intenções guardadas. Ela se constrói com tempo, cuidado, compromisso e amor vivido na prática.

No fim, a vida não será lembrada apenas pelos grandes feitos, pelos títulos, pelo dinheiro acumulado ou pelas conquistas profissionais. Ela será lembrada pelas histórias que conseguimos viver com quem amamos. E, entre todas as histórias, poucas são tão preciosas quanto aquelas construídas entre pais e filhos.

Porque tem coisas que não podem deixar de serem vividas. Tem abraços que não podem ser adiados. Tem risadas que não podem ser perdidas. Tem presenças que não podem ser substituídas. Tem infâncias que não podem ser devolvidas.

E o filme entre pai e filho, quando passa, jamais se repete do mesmo jeito.

Weber Negreiros

Por: Weber Negreiros - CEO WN Treinamento, Consultoria e Planejamento
CEO da Revista Falando de Negócios
  

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