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EDITORIAL DA SEMANA
O DNA DA DESLEALDADE
O preço de viver sob desconfiança
A deslealdade não nasce do acaso, tampouco é fruto de um simples deslize. Ela carrega um DNA próprio, formado por escolhas conscientes, silenciosas e, muitas vezes, recorrentes e que revelam o real caráter das pessoas. Diferente do erro, que admite reparo e aprendizado, a deslealdade é uma decisão que revela muito mais sobre quem a pratica do que sobre quem a sofre. Como já se disse com precisão: “Traição não é um erro, é uma escolha consciente. Quem trai revela covardia, egoísmo e falta de caráter”. E essa escolha tem um preço alto, cobrado em parcelas diárias de desconfiança, isolamento e descrédito.
No campo pessoal, a traição age como uma ruptura invisível. Ela não começa, necessariamente, no ato final, mas nos pequenos desvios normalizados: “Traição não começa na cama. Começa no olhar que passa do limite, na conversa que se esconde, no desejo que você alimenta em silêncio”. É nesse território cinzento que a consciência é negociada e o caráter colocado à prova. A confiança, uma vez violada, raramente retorna ao seu estado original. Ela se transforma em vigilância, suspeita e medo, que são sentimentos que corroem qualquer relação.
A deslealdade, porém, não se limita às relações afetivas. No ambiente profissional, seus efeitos são igualmente devastadores. Empresas não quebram apenas por falta de capital; muitas ruem por excesso de desconfiança. “Caráter e convivência são tão importantes quanto, ou até mais importantes que, a competência técnica”. Um profissional tecnicamente brilhante, mas eticamente frágil, torna-se um risco. “Pessoas de mau caráter mentem, trapaceiam, roubam e não têm escrúpulos, o que corrói qualquer ambiente”. O resultado é um clima organizacional contaminado, equipes fragmentadas e lideranças desacreditadas.
Viver sob desconfiança é carregar um fardo constante. Quem trai passa a suspeitar de todos, pois projeta nos outros aquilo que carrega em si. A deslealdade gera um paradoxo cruel: o traidor deseja confiança, mas não inspira confiabilidade. “Antes de esperar lealdade, é necessário ser leal. Antes de exigir confiança, é preciso ser confiável”. Sem isso, toda relação se torna transacional, baseada em interesse e medo, nunca em compromisso genuíno.
A frase “O certo é certo, mesmo que ninguém o faça; o errado é errado, mesmo que todos se enganem sobre ele” sintetiza, de forma contundente, o eixo central do debate sobre lealdade, caráter e responsabilidade moral. Ela afirma que os valores éticos não são determinados por maioria, conveniência ou contexto, mas por princípios. Em um mundo onde a deslealdade muitas vezes se normaliza pelo silêncio coletivo, pelo “todo mundo faz” ou pela conveniência institucional, essa máxima funciona como um antídoto moral. O certo não perde sua natureza porque é solitário, assim como o errado não se torna aceitável por ser amplamente praticado. No campo pessoal, ela exige coerência entre consciência e atitude; no profissional e político, desmonta justificativas oportunistas que tentam legitimar traições, desvios e abusos sob o manto da normalidade. Essa frase revela que o verdadeiro teste de caráter não está em agir corretamente quando há aplausos, mas em sustentar o que é justo quando isso implica isolamento, perda de vantagens e enfrentamento. É justamente essa fidelidade aos princípios, que custa caro, separa reputações sólidas de imagens artificiais e sustenta a confiança em meio a ambientes marcados pela desconfiança e pela banalização do erro.
Há ainda a deslealdade sutil, talvez a mais dolorosa. “A deslealdade é uma forma de traição mais sutil. Ela causa sofrimento por vir de pessoas inesperadas”. É a quebra de pacto silencioso, o abandono no momento crítico, o discurso público de apoio contrastando com a sabotagem privada. Como diz o ditado popular, “atrás da cruz se esconde o diabo”. A falsa virtude confunde, seduz e, por isso mesmo, causa feridas mais profundas.
As consequências da deslealdade são cumulativas. No plano pessoal, ela deixa marcas emocionais duradouras: “A traição é uma sombra que obscurece a luz da confiança, deixando marcas indeléveis na alma traída”. No plano social e profissional, ela compromete reputações. Marca pessoal não se constrói apenas com discursos, mas com coerência entre palavras e ações. Quem precisa reafirmar constantemente sua honestidade, muitas vezes o faz porque seus atos já não sustentam sua imagem. A necessidade excessiva de afirmação costuma denunciar insegurança e inconsistência.
O reposicionamento da marca pessoal após um ato de deslealdade é um processo longo e incerto. Credibilidade é construída lentamente e perdida rapidamente. Não há estratégia de marketing capaz de encobrir, por muito tempo, a incoerência moral. Como advertiu Abraham Lincoln: “Você pode enganar algumas pessoas todo o tempo. Você pode também enganar todas as pessoas algum tempo. Mas você não pode enganar todas as pessoas todo o tempo”. A verdade, cedo ou tarde, emerge e vem cobrar seu preço, muito alto.
Esse preço aparece também na solidão. O desleal até pode circular em muitos ambientes, mas raramente pertence de fato a algum. Relações baseadas em interesse são frágeis; quando o benefício acaba, o vínculo se dissolve. “A deslealdade mostra quem realmente está ao seu lado e quem age por interesse”. E, no fim, resta pouco além do vazio deixado por escolhas mal-feitas.
É preciso compreender que a deslealdade não destrói apenas o outro; ela autossabota quem a pratica. “O egoísmo, a ganância, a ambição, a ingratidão e a falta de humildade, de lealdade e justiça serão seus próprios algozes”. Viver de aparências exige esforço constante, vigilância permanente e uma encenação cansativa. Já a lealdade simplifica a vida: alinha discurso e prática, fortalece vínculos e constrói legado.
No fim, algumas verdades permanecem simples e inegociáveis: “A lealdade é merecida em todas as palavras, atos e relacionamentos”. O DNA da deslealdade pode até ser herdado de ambientes tóxicos e exemplos ruins, mas sua ativação é sempre uma escolha. E escolher a lealdade, ainda que custe mais no curto prazo, é o único caminho capaz de sustentar confiança, credibilidade e relações verdadeiramente duradouras em todas as frentes da sociedade.

Por: Weber Negreiros - CEO WN Treinamento, Consultoria e Planejamento
CEO da Revista Falando de Negócios
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