O PREÇO DO RECOMEÇO - Erros que levam à perda de oportunidades
- Weber Negreiros
- 21 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

A vida raramente nos cobra pequenas moedas. Na maioria das vezes, o preço exigido é alto, silencioso e inevitável. O recomeço, quando chega, não vem como prêmio, mas como consequência. Ele surge depois da queda, após a perda, quando já não há como fingir que nada aconteceu. Recomeçar custa caro porque, quase sempre, nasce de erros que poderiam ter sido evitados, de escolhas impensadas e de atitudes tomadas sem a devida maturidade. O preço do recomeço é pago, sobretudo, quando percebemos tudo aquilo que deixamos escapar enquanto ainda estava ao nosso alcance.
Errar faz parte da condição humana, mas insistir no erro é uma escolha. E aqui reside uma das maiores armadilhas da vida: confundir teimosia com persistência. Persistir é continuar tentando quando há propósito, aprendizado e crescimento. Teimar é repetir o mesmo comportamento, mesmo sabendo que o resultado será o mesmo fracasso. Como diz a reflexão que fundamenta este texto, “insistir no mesmo erro não é persistência, é teimosia”. Quantas oportunidades foram perdidas simplesmente porque faltou coragem para admitir a falha? Quantas portas se fecharam porque o orgulho falou mais alto que a razão?
A imaturidade costuma ser uma péssima conselheira. Ela nos faz agir no impulso, falar o que não deve ser dito, tomar decisões sem medir consequências. Em nome de um momento, sacrificamos anos. Em nome do ego, perdemos pessoas, vínculos, carreiras e sonhos. O despreparo emocional e espiritual nos leva a acreditar que sempre haverá uma segunda chance, como se o tempo fosse infinito e as pessoas fossem eternamente pacientes. Mas a vida não funciona assim. Algumas oportunidades passam apenas uma vez. Quando vão embora, deixam apenas a lembrança do que poderia ter sido.
Outro erro comum é a falta de valorização de quem nos valoriza. É paradoxal, mas recorrente: damos atenção a quem nos ignora e negligenciamos quem nos estende a mão. Tratamos com descaso aqueles que nos amam de verdade, enquanto mendigamos reconhecimento onde nunca houve reciprocidade. Acreditamos que o apoio verdadeiro estará sempre ali, disponível, independentemente de como agimos. Até o dia em que ele se cansa, se afasta e segue em frente. Nesse momento, a ausência grita mais alto do que qualquer palavra dita no passado.
A falta de respeito é outro fator devastador. Respeito não é apenas uma questão de educação, mas de consciência. É entender limites, reconhecer o valor do outro, agir com responsabilidade sobre aquilo que se diz e se faz. Quando o respeito se perde, dificilmente se reconstrói da mesma forma. Relações podem até ser retomadas, mas quase nunca voltam a ser o que eram. O recomeço, nesse caso, já nasce ferido, marcado pela desconfiança e pela dor que ficou.
A humildade, muitas vezes vista como fraqueza, é na verdade uma das maiores forças do ser humano. É ela que nos permite reconhecer erros, pedir perdão, aprender e crescer. A ausência de humildade nos mantém presos a justificativas, culpando o mundo, as circunstâncias e as pessoas, enquanto ignoramos nossa própria responsabilidade. Sem humildade, não há aprendizado; sem aprendizado, repetimos os mesmos erros. E cada repetição cobra um preço mais alto.
Somente após a perda é que, na maioria das vezes, passamos a dar valor. Quando o silêncio substitui a presença, quando a distância ocupa o lugar do afeto, quando o sonho se desfaz, a consciência desperta. É nesse momento que enxergamos com clareza o que antes era óbvio, mas ignorado. A dor da perda ensina o que o conforto jamais conseguiu ensinar. Infelizmente, esse aprendizado costuma vir tarde demais.
O recomeço, então, se impõe como única alternativa. Mas ele não é romântico, nem fácil. Recomeçar significa caminhar entre ruínas, carregar culpas, enfrentar arrependimentos e lidar com a saudade daquilo que um dia foi o nosso céu. O sonho passa a ser apenas um: voltar a viver o que se perdeu. Porém, antes disso, é preciso atravessar o inferno, muitas vezes um inferno construído por nós mesmos, tijolo por tijolo, atitude por atitude, escolha por escolha.
Esse inferno não é feito apenas de sofrimento externo, mas de conflitos internos. É o peso da consciência, o diálogo silencioso com os próprios erros, a pergunta insistente: “E se eu tivesse agido diferente?”. É nesse ambiente hostil que o verdadeiro recomeço começa a ser gestado. Não como repetição do passado, mas como uma nova história escrita com mais sabedoria, como aponta a citação que norteia esta reflexão: “Recomeçar, após reconhecer a falha, é ter a coragem de reescrever a história com a sabedoria que a repetição, finalmente, te ensinou.”
O recomeço só vale a pena quando vem acompanhado de transformação. Caso contrário, ele será apenas mais um ciclo de erros disfarçado de nova chance. Reconhecer a falha é o primeiro passo, mas não basta. É preciso mudar atitudes, rever valores, amadurecer emocionalmente e aprender a valorizar o que realmente importa. O preço do recomeço é alto, mas o custo de não aprender com ele é ainda maior.
No fim, a vida nos ensina da forma mais dura: oportunidades não avisam quando estão partindo. Pessoas não prometem esperar para sempre. Sonhos não sobrevivem à negligência. Cabe a cada um decidir se aprenderá com o erro enquanto ainda há tempo ou se pagará o preço do recomeço quando já não houver mais escolha. Porque recomeçar é possível, mas voltar a ser exatamente o que era antes… quase nunca.
Por: Weber Negreiros
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